quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Conversando sobre Mobilizações Populares

O Sociólogo, coordenador do Instituto Mario Alves e do Ponto de Cultura Memórias em Movimento Lauro Borges esteve no Programa Contraponto desta segunda-feira contextualizando e fazendo uma análise das manifestações populares no Brasil e no mundo.

“2011 está sendo marcado como um ano de retomada de mobilizações, algumas inéditas”. Alguns dos países mais fechados e menos democráticos do mundo viram manifestos que derrubaram grandes ditaduras: “os primeiros movimentos foram na Tunísia, depois no Egito e se sucederam uma série de manifestações que continuam em aberto”, diz Lauro.

Os países continuam na luta para manter a democracia, depois de muitos anos sem abertura para manifestações sociais. Na Arábia Saudita, por exemplo, existem ainda movimentos muito reprimidos, mas que se mantêm firmes. O sociólogo complementa que “a velocidade das mudanças não se sabe, mas nunca mais aquele lado do Oriente Médio será mais o mesmo”. Esses movimentos trazem uma série de conseqüências para o mundo todo, pois se questiona a definição de democracia hoje, em que poucos grupos definem o funcionamento da sociedade.

15-O – Movimento 15 de Outubro

O 15-O (inspirado no 15-M da Espanha, que ocorreu no dia 15 de maio), se destacou pela diversidade de grupos e pensamentos e teve como questão central a responsabilidade da população na luta pelos direitos a uma vida justa e livre, criticando a forma de gestão da economia e da política hoje nos principais países do mundo. “Pelo que se sabe até agora, [o 15-O] foi realizado em mais de 80 países no mundo e em mais de 1000 cidades”

A força da mobilização pela internet, nas redes sociais, é visível e se tornou uma ferramenta importante, permitindo o diálogo entre várias partes do mundo. “Estamos vivendo um período inédito na história, muito provavelmente esse movimento de sábado reuniu o maior numero de pessoas no mundo em torno de uma causa.”

O que está por trás das mobilizações

A organização política dos governos começa a ser questionada, pois as transnacionais definem a política financeira dos países e os governos comumente eliminam ou tratam de maneira superficial as questões sociais. “Esses movimentos colocam em questionamento o tipo de sociedade que estamos vivendo, e chamam as pessoas para participação”, afirmou Lauro Borges. O 15-O tem grande importância porque se coloca contra o domínio econômico e a organização política, e discutindo como a forma de organização da sociedade capitalista é excludente.

Segundo o comentarista, aqui no Brasil vivemos um período de pouca mobilização social. Temos uma série de categorias se mobilizando, mas de forma fragmentada e o Movimento 15 de outubro trouxe uma noção de unificação em busca de resultados maiores. Praticamente todos os estados e capitais do país se mobilizaram e aqui em Pelotas várias organizações que já estavam em greve, participaram de forma integrada da manifestação e mostrando a força do movimento dos indignados.

Comentário na íntegra:

**Lembramos que nessa sexta-feira, dia 21, às 18h, ocorrerá uma nova reunião na praça Cel. Pedro Osório, para definir as próximas pautas e a manutenção das mobilizações. Caso chova, a reunião será no DCE da UFPel.

**E na próxima segunda-feira, às 9h, o quadro Conversando Sobre terá como tema a escola em tempo integral, com a professora Alice Szezepanski.


Bookmark and Share

0 comentários: