Observando a preocupação de Rio Grande em ampliar as ciclofaixas e ciclovias em função do crescimento da cidade, o Programa Contraponto convidou para discutir a situação dos ciclistas em Pelotas no Programa Contraponto de segunda-feira o coordenador do Grupo Pedal Curticeira Laendro Karam, e o professor do IFSul e coordenador do Movimento dos Usuários de Bicicletas de Pelotas Gean Carlo Bacchieri.

O uso da bicicleta melhora a qualidade de vida ao diminuir os congestionamentos, a poluição sonora e atmosférica. O ciclismo beneficia a população tanto de forma individual quanto coletiva: “além de um meio de transporte é uma forma meio de desenvolver a saúde e as percepções da cidade, desde a circulação do sangue da pessoa até a circulação das próprias pessoas dentro da cidade”, disse Leandro.
Um carro ocupa o mesmo espaço utilizado por 4 ou até 6 bicicletas, e é privilegiado na construção da cidade. A estrutura para os ciclistas, de forma geral, ainda é ineficiente, diminuindo o incentivo ao uso de bicicleta. Cerca de 18 mil trabalhadores utilizam bicicletas em Pelotas todo dia e há uma probabilidade desse número aumentar muito quando a população começar a observar boas ciclovias, por isso a bicicleta faz parte de uma mudança de conceito de cidade, salientando a devolução do espaço público à população.
Segundo Gean Carlo, Pelotas já tem um planejamento cicloviário completo no papel, o que falta é “ir pra rua”. Outro problema são as ciclovias já existentes na cidade que necessitam de revitalização: “são coisas simples, muitos dos problemas existentes seriam resolvidos de forma simples, com pouco investimento, o que não chega aos pés de abrir um viaduto ou coisas que exijam maior aporte financeiro” – complementou Leandro Karam.
No inicio deste ano os seminários de mobilidade urbana geraram um grupo de discussões que está em processo inicial de ação, pensando em mudanças tanto estruturais, quanto educativas no que diz respeito a mobilidade: “temos também parceiros como o SEST SENAT e a UFPel, para colaborar nesses processos de ação” – disse Leandro. Há também grupos de mobilização como o Pedal Curticeira e o MUBPel, que mostram as pessoas formas adequadas para utilizar os espaços que já temos e aumentam a sensação de segurança dos ciclistas ao pedalarem.
A tentativa do uso de bicicletas deve partir do poder público na forma de incentivos e infraestrutura para facilitar o deslocamento do ciclista. Quando as obras beneficiam o trânsito de carros, a tendência é que o numero de automóveis aumente. As grandes cidades estão restringindo o espaço do automóvel para facilitar a mobilidade das pessoas e Pelotas terá que se adequar: “ainda temos tempo de reverter essa situação, o carro ocupa muito espaço e normalmente transita com uma ou duas pessoas, o que causa uma utilização muito individual do espaço público. A bicicleta e boas linhas de ônibus facilitarão muito a mobilidade, fazendo com que a cidade se torne mais humana” – completa o professor Gean Carlo Bacchieri.
Lembramos que hoje, dia 11, às 19h45 o grupo de ciclistas estará na praça Coronel Pedro Osório para o retorno das pedaladas noturnas. Os contatos dos grupos Pedal Curticeira e MUBPel são:
E-mail - grupo@pedalcuticeira.com.br
Movimento dos Usuários de Bicicletas de Pelotas - www.pinhalivre.org
*Ouça o Conversando sobre Mobilidade Urbana na íntegra:

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