sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Efervescência Cultural

Seminário Internacional do Programa Cultura Viva começa com a experiência de quem vive a cultura no cotidiano O secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC), Célio Turino, abriu na noite dessa quarta-feira, 18 de novembro, em Pirenópolis, Goiás, o Seminário Internacional do Programa Cultura Viva, realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
“Os Pontos de Cultura revelam um cenário democrático para a cultura no Brasil. Este seminário não é uma avaliação no sentido estrito, mas caminhos que buscamos para o Programa Cultura Viva a partir de reflexões coletivas e individualizadas que se entrecruzam aqui”, disse Turino para a plateia de gestores, representantes de Pontos de Cultura e pesquisadores acadêmicos que irão refletir sobre conceitos e práticas do programa nos últimos cinco anos. O secretário também falou sobre a dinâmica do evento e da importância do registro das experiências para o futuro.
Sílvio Da-Rin, secretário do Audiovisual (SAv/MinC), citou as novas fronteiras que se abriram a partir do equipamento multimídia presente nos Pontos de Cultura. “O surgimento de novos grupos que dialogam com o meio digital é sensacional, pois casa bem com pequenos municípios que são estimulados pelos Ponto de Cultura”, exemplifica. “Pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual. Temos que reconhecer o gigantesco protagonismo social que o programa tem causado”, finalizou Da-Rin.
A cerimônia foi encerrada com a apresentação da Orquestra Popular Menino de Ceilândia, citada por Célio Turino como “uma dessas pequenas jóias que encontramos entre as promessas dos Pontos de Cultura”.
A programação segue nesta quinta-feira, dia 19, na cidade histórica goiana, com Grupos Aglutinadores (GAs) e Círculos de Convergência de experiências. Saiba mais.
Efervescência Cultural
DJ, MC, Bee-boy e break dancer, expressões típicas do movimento hip-hop,  foram o cartão de visita do Ponto de Cultura Atitude para os participantes do evento internacional que, na manhã de quarta-feira (dia 18), realizaram a primeira atividade do Seminário de avaliação dos conceitos e ações de iniciativa do Programa Cultura Viva.
Localizado na cidade-satélite de Ceilândia, situada há 24 km do Plano Piloto, reúne cerca de 450 mil habitantes, “a Cei”, como é chamada por muitos, foi um dia chamada “a Brasília que não quer ser vista” pelo poeta Carlos Drummond de Andrade. Em suas múltiplas identidades, a cidade hoje é efervescente de expressões culturais.
No Ponto de Cultura Atitude, o trabalho está em prol de uma música de fusão, que coloca lado a lado o estilo e ritmo do rap com as sonoridades nordestina como o coco e o maracatu. Considerado um projeto exemplar diante da transformação social proposta a partir do incentivo recebido pelo Programa Cultura Viva, o Atitude congrega em suas atividades oficinas artísticas, estúdio de gravação de áudio, sala de leitura, cineclube e o fomento à geração de renda e sustentabilidade de projetos.
A antiga pelos antigos
O calor em Pirenópolis, ao fim da tarde de quarta-feira (dia 18), não afugentou os participantes do I Seminário Internacional do Programa Cultura Viva. Recém-chegados da visita ao Ponto de Cultura Atitude, reuniram-se em frente à Pousada dos Pireneus, local onde acontece o Seminário até a sexta, 20 de novembro, para um encontro com a memória da cidade e de seus antigos moradores.
Guiados pela Regional Griô Nascente das Veredas, cerca de 80 participantes seguiram em cortejo pela cidade, visitando seus lugares históricos e ouvindo as histórias dos mais antigos - hoje reconhecidos mestres de tradição pela Ação Griô - uma das políticas desenvolvidas pelo Programa Cultura Viva.
Por que a festa da Senhora da Boa Morte acontecia na Igreja de Nossa Senhora do Carmo? Quem sabe que exista uma fonte embaixo de onde fica a Ponte Velha da cidade sobre o Rio das Almas? As memórias de riquezas, lutas e traições vieram de Seu Sebastião ‘de Chica’ Profeta do Amaral, 93 anos, cujo tempo revela-se nas marcas no rosto queimado de sol e nos cabelos brancos protegidos por um chapéu, aparentemente, inseparável.
O resgate da tradição oral revela um dos méritos do programa que, nos próximos dias, espera encontrar novos rumos a partir do olhar e experiência de que exercita a cultura no cotidiano.
(Texto: Zonda Bez)
(Fotos: Italo Rios)
(Secretaria de Cidadania Cultural/MinC)
  • Publicado por MINC

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Espanha vai tornar a banda larga um direito público


O governo da Espanha anunciou que começará uma série de reformas na legislação para tornar o acesso à internet rápida um direito de todos os cidadãos a partir de 1º de janeiro de 2011. Em qualquer lugar do país ibérico, uma pessoa deverá ter a possibilidade de contratar um serviço de pelo menos 1 megabit por segundo (Mbps).

Com isso, a banda larga passa a ser um serviço público no mesmo patamar da telefonia fixa, com preços regulados e fornecido independentemente da localização do acesso, como bairros afastados e cidades pequenas em áreas rurais.

Porém, a velocidade mínima estabelecida pelo governo foi criticada, uma vez que em 2011 os serviços da internet irão requerer uma conexão maior do que 1 Mbps. De acordo com o jornal El País, apenas 39 mil dos 9,5 milhões de acessos à banda larga que a Espanha tem hoje são de 1 Mbps. O restante tem uma velocidade maior. Além disso, a legislação deverá propor subsídios a empresas para fornecer o acesso em regiões menos populosas, sem interesse comercial.

A Espanha segue o mesmo caminho da Finlândia. O país nórdico estabeleceu que a banda larga se tornará um serviço público em junho de 2010. Em outubro a Itália apresentou um projeto também para universalizar o acesso à internet rápida em 2010, com conexões de 2 Mbps.


Blog do Estadão

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Oi terá R$4,4 bi do BNDES para investimentos

 
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de 4,4 bilhões de reais para o grupo de telecomunicações.O grupo, segundo comunicado do BNDES, investirá 12,3 bilhões de reais até 2011 "na ampliação da base de clientes por meio de expansão e melhoria da qualidade da rede e intensificação do uso da rede, principalmente a partir da convergência dos serviços prestados; e atendimento às obrigações das concessionárias definidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)".

No caso da operação de telefonia fixa, as principais metas estabelecidas pelo órgão regulador, conforme o comunicado, são implantação de infraestrutura para conexão em banda larga em mais de 3 mil municípios até 2010 e instalação de internet rápida nas 28 mil escolas públicas urbanas do país.

O grupo também terá de investir em convergência de redes e melhoria dos serviços integrados.

"Parte dos recursos será destinada, ainda, para a expansão de capacidade da rede, a partir da entrada da Oi Móvel em São Paulo", acrescenta o comunicado.

Já na operação móvel, os aportes têm por objetivo levar cobertura a todos os municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes até 2011 e acesso móvel à internet a 60% dos municípios brasileiros até 2016.

O BNDES informa ainda que, nos últimos 11 anos, aprovou financiamentos totais 29,4 bilhões de reais para o setor de telecomunicações, segundo maior empregador de mão de obra do país.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

94% dos brasileiros não têm banda larga

Adianta falar em inclusão digital sem conexão veloz? Governos de todo o mundo já discutem como universalizar o acesso rápido, mas o Brasil ainda engatinha nesta questão.Existe um Brasil que não consegue assistir a vídeos no YouTube. Que não tem perfil no Facebook, não acompanha a dinâmica do Twitter nem sonha em entrar no Google Wave. Entra no MSN, mas precisa de nove horas para fazer o download do programa – isso quando a conexão não cai. É o Brasil desconectado – ou 94,2% do nosso País.

O Banco Mundial já avisou: cada vez que as conexões rápidas aumentam em 10%, o PIB de um país cresce 1,3%. Estamos longe disso: hoje a internet banda larga no País chega a 5,8% da população.

 O governo federal se prepara para lançar ainda neste mês o Plano Nacional de Banda Larga, que pretende levar internet rápida a quase 80% dos municípios brasileiros. O plano prevê a expansão do acesso com planos, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, de até R$ 9,90. A meta é expandir o acesso domiciliar – mas, segundo o coordenador dos projetos de inclusão digital do governo federal, Cezar Alvarez, “seria ingenuidade pensar em atingir o universo da população com conexões individuais”. Para ele, é preciso investir também em acessos coletivos.

 O plano está sendo discutido por um grupo de trabalho interministerial. O governo ainda não revelou se a rede de banda larga será administrada por uma empresa estatal, por exemplo, mas parte dessas dúvidas devem ser sanadas hoje. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência realiza hoje, em Brasília, um seminário internacional sobre o assunto com a participação dos ministros Hélio Costa e Paulo Bernardo (Planejamento), Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, e outros especialistas internacionais. O Plano Nacional está na pauta. Segundo o coordenador do evento, Gabriel Laender, a definição do texto “já foi praticamente concluída”. “Estamos num momento de revisão e articulação final”, disse.

 Não se sabe ainda qual é o conteúdo, mas as metas são ambiciosas. Augusto Gadelha, secretário de Política da Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, diz que em cinco anos a banda larga atingirá um “porcentual significativo de domicílios e todas as escolas urbanas e órgãos públicos do País”. “Poderemos estar entre os dez países com maior penetração de banda larga do mundo”.

 Internet cada vez mais veloz

Uma pesquisa conjunta das universidades de Oxford, na Inglaterra, e Oviedo, na Espanha, mostrou que, neste ano, a velocidade média da banda larga aumentou 45% em comparação com o ano anterior. A Coreia do Sul, líder do ranking, tem 97% de suas residências conectadas – o que leva a uma mudança no perfil de consumo, com a mídia física sendo substituída por músicas, filmes e livros digitais. É o Japão, no entanto, o dono da web mais veloz, com conexão média de 60 Mbps.

A importância de 2009, no entanto, não está nos dados de web ultravelozes, mas na iniciativa de diversos países para que uma conexão 1 Mbps seja garantida, colocando a web no mesmo patamar de serviços básicos como água e eletricidade. Começou com o primeiro ministro inglês Gordon Brown, que anunciou um projeto para a expansão da banda larga para todos os ingleses. Depois, Finlândia e Itália foram mais longe e colocaram a banda larga como um “direito fundamental”. E tudo indica que é apenas o começo. (Rafael Cabral)

O MUNDO E A INTERNET RÁPIDA

• Melhor custo-benefício, o Japão tem 64% de suas casas com banda larga, com velocidade média de 60 Mbps, custando US$ 0,27 por 1 Mbps.


• 97% do povo coreana tem acesso à banda larga (média de 46 Mbps). O país é o líder de um ranking de conexões das universidades de Oxford e Oviedo.


• Melhor país da Europa em conexão, a Suécia tem penetração de 69%, custo médio de US$ 0,63 por cada 1 Mbps e velocidade média de 18 Mbps na conexão.



• Devido ao tamanho do território e ao controle sobre a população, a Suíça conseguiu conectar 90% de seus cidadãos com banda larga e é o segundo melhor país da Europa no ranking.



• A Finlândia, que aprovou uma lei que diz que uma conexão de 1 Mbps é “direito fundamental” de qualquer cidadão, tem 80% de penetração e média de 22 Mbps.



• Apesar de também ter um projeto para a universalização da banda larga, a situação da Itália não é tão boa: 50% de casas conectadas, com média de 4 Mbps.



• Nos EUA, a média de velocidade é de 4,8 Mbps e a média de preço por 1 Mbps é de US$ 3,33. Cerca de 80% das residências têm acesso à banda larga.



• A velocidade média de conexão por banda larga na França é de 17,6 Mbps. Paga-se US$ 1,64 por cada 1 Mbps e cerca de 70% das casas são atendidas pelo serviço de internet rápida.

sábado, 14 de novembro de 2009

Daniel Viglietti novamente em Pelotas


Brasil anuncia metas voluntárias que vai apresentar em Copenhague



 Ministério do Meio Ambiente As metas de redução de emissão de gases do efeito estufa que o Brasil levará para a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca) foram anunciadas na tarde desta sexta-feira (13), em São Paulo, pelo governo.

Em reunião, o presidente Lula e os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, da Casa Civil, Dilma Rousseff, da Agricultura, Reinholds Stephanes, da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, o interino das Relações Exteriores Antônio Patriota, o presidente do Fórum Brasileiro sobre Mudanças Climáticas, Luiz Pingueli Rosa e o responsável pelo Departamento de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, definiram que o País deve reduzir entre 36,1% e 38,9% sobre as estimativas de emissões previstas para 2020.

O estabelecimento de metas definidas agradou ao ministro Carlos Minc, que desde o início das discussões defendeu uma proposta objetiva para o país apresentar no encontro na Dinamarca. "A variação é porque algumas das ações propostas precisam de recursos específicos. Por isso o presidente Lula mandou agora realizar reuniões para definir as fontes de financiamento para cada uma delas", explicou o ministro. Segundo ele, a variação significa um "intervalo de confiança", que pode, inclusive, ser ultrapassado. "Podemos ir além", afirmou Minc.

Considerando cenários de crescimento econômico de 5% e 6%, as ações para mitigação das emissões até 2020 prevêem iniciativas nas áreas de uso da terra, agropecuária, energia e siderurgia. "É importante destacar que essas são ações que decidimos tomar de forma voluntária. E que elas, além de voluntárias, são factíveis, quantificáveis, reportáveis e, inclusive, podem ser verificadas", disse a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, ao anunciar as metas em entrevista coletiva à imprensa.

"Estamos assumindo uma queda de quase 21% com a redução de 80% no desmatamento da Amazônia e um intervalo variável para demais ações, que são complementares à de combate ao desmatamento da floresta", acrescentou, se referindo às áreas de agropecuária, energia e siderurgia.
Ainda de acordo com a ministra, a definição das ações de mitigação que devem ocorrer em cada um dos setores mostram que "o Brasil tem compromisso com o desenvolvimento sustentável e com o meio ambiente". Segunda ela, o próximo passo, determinado pelo presidente Lula é o levantamento das fontes e recursos necessários para o financiamento das ações. "Vamos contar com recursos do governo, de ajuda internacional e até do setor privado", disse Dilma.

Para a ministra, o fato de o Brasil levar metas detalhadas a Copenhague pode favorecer o país, no sentido de receber investimentos internacionais para cumpri-las. "Já que estamos elencando as iniciativas, estaremos qualificados para receber recursos", avaliou.
Amazônia

As metas prevêem uma redução de 20,9% nas emissões de CO2 com a redução de 80% no desmatamento da Amazônia. E 3,9% com a redução de 40% no desmatamento do Cerrado, um total de 24,8% do total das emissões. Coube ao ministro Carlos Minc detalhar as iniciativas que deverão ser feitas em cada setor para que as metas sejam cumpridas. "No caso do desmatamento da Amazônia, nós já nos antecipamos. Ontem foi anunciado o menor desmatamento dos últimos 21 anos", disse.
Para a agropecuária, a proporção de redução varia de 4,9% a 6,1%. Para isso, são listadas ações de recuperação de pastos, integração lavoura-pecuária, plantio direto e fixação biológica de nitrogênio.

No setor de energia, a proporção de redução varia de 6,1% a 7,7%, com foco em eficiência energética, incremento no uso de biocombustíveis, expansão da oferta de energia por hidrelétricas e fontes alternativas como, por exemplo, bioeletricidade e energia eólica. Na siderurgia, com proporção de redução variando de 0,3% a 0,4%, o foco estará na substituição de carvão de desmate por árvores plantadas.

O ministro frisou que as metas não impedirão o crescimento do país. "O Brasil não vai ficar engessado. Porque nós somos um dos poucos países que pode ter menos desmatamento, menos emissões, e mais desenvolvimento", afirmou. Tanto

Dilma quanto Minc destacaram a importância da proposta brasileira. "Com essas metas nós mostramos que temos boa vontade e compromisso", avaliou a chefe da Casa Civil. "Mas esse tem que ser um compromisso não só do governo, é de todo o país", completou o ministro do Meio Ambiente.

MMA/EcoAgência

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Projeto de Lei pretende “liberar” cópia de músicas e de livros


Guardada a sete chaves, a nova lei de Direitos Autorais, redigida pelo Ministério da Cultura, vai autorizar, pelo menos, duas práticas usuais dos jovens brasileiros. Pretende permitir, por exemplo, que os interessados em realizar fotocópias de um livro o façam da publicação completa e não apenas de pequenos trechos, como é hoje. Também vai criar uma forma legal de autorizar a cópia de músicas para aparelhos de MP3, o que hoje é ilegal e considerado pirataria.


Em entrevista ao iG, o diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Alves, antecipou que o texto vai buscar o equilíbrio entre a proteção aos titulares das obras e o direito do cidadão de ter acesso à cultura. “Temos uma lei muito restritiva hoje e precisamos mudar isso”, afirma. “Um universitário que quer copiar um livro acaba incorrendo em crime se xeroca a publicação inteira”, avalia. Pela proposta, será permitida a cópia de livros e a livre utilização, desde que essa cópia seja para fins educacionais, não para a utilização econômica.

“O mesmo vale para alguém que comprar um CD de algum artista e o copia para MP3. Mesmo se a pessoas pagou pelo produto, se copiar a música na íntegra é pirata”, completa. Em ambos os casos, a solução apontada pelo Ministério da Cultura é semelhante. A ideia é fazer um fundo de reserva de recursos alimentado com taxação dos produtos. Ou seja, um percentual pago à copiadora iria para um fundo destinado a reembolsar os autores e as editoras.

O mesmo argumento serve para quem abastece os aparelhos de MP3. “Esses aparelhos servem principalmente para quem baixa músicas. Então podemos pensar em cobrar uma taxa em cada venda que serviria para os direitos autorais dos artistas e gravadoras”, afirma. De acordo com ele, as duas medidas necessitam de regulamentação específica, mas não devem onerar a venda dos produtos de forma significativa.

Para a Maria Cristina Barbato, da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), a proposta é positiva. “É fato que o músico não pode mais perder como ocorre hoje cada vez mais”, afirma. A OMB representa, apenas no estado de São Paulo, 50 mil músicos. “Hoje não há controle algum e cada um faz o que quer.”

A nova lei de Direitos Autorais está sendo elaborada desde 2007 e, nas próximas semanas, deve entrar em consulta pública antes de ser encaminhado ao Congresso (via ultimosegundo.ig.com.br)

ASL e BROffice questionam licitação dirigida para Microsoft no Executivo gaúcho

A Associação Software Livre (ASL), com apoio da BrOffice.org, entrou dia 11/11 (quarta), com pedido de impugnação do Edital 589/CECOM/2009 na Central de Compras do governo do Estado do Rio Grande do Sul, órgão da Secretaria de Administração e Recursos Humanos. O Edital prevê a realização de um pregão eletrônico para aquisição de notebooks dentro do Programa Professor Digital, projeto desenvolvido pela Secretaria de Educação do Estado em parceria com o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e que atende professores da rede estadual.

A proposta do convênio é intermediar a aquisição dos computadores pelos professores oferecendo a compra por meio de financiamento no Banrisul. Segundo o edital, as organizações que participarem do pregão precisam oferecer máquinas com configurações específicas, como por exemplo: processador de núcleo duplo arquitetura x86, controlador de vídeo padrão XGA integrado, sistema operacional MS Windows 7 Home Basic PPP em português do Brasil pré-instalado ou superior e Office Pro Plus 2007.

O principal argumento da Associação para questionar o pregão é baseado na Lei nº 8.666 que regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, e institui normas para licitações e contratos da Administração Pública, em todos os níveis. De acordo com o texto da Lei, é vedada a realização de licitação que determine "marcas, características e especificações exclusivas" para os objetos que serão adquiridos. A partir disso, a ASL questiona a necessidade de aquisição de computadores com MS Windows 7 e MS Office.

Além disso, a Associação também argumenta que a licitação não divide as aquisições de hardware e software. O texto do documento deixa clara a opção pela compra de notebooks, ou seja, o hardware (componente físico do computador) e não de softwares. No entanto, foram incluídos os itens 1.26, 1.27 e 1.28 no Anexo IV do edital referindo-se explicitamente a especificações de alguns softwares. Segundo a Lei nº 8.666, os processos de licitação devem garantir o princípio constitucional da isonomia, ou seja, selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração Pública. Para a ASL, se o edital fracionasse as aquisições de hardware e software, seria possível obter e selecionar propostas mais vantajosas para o Estado.

Outro argumento da impugnação baseia-se na não consideração de softwares concorrentes com a mesma funcionalidade no objeto da licitação. A ASL questiona a validade da aquisição exclusiva de produtos Microsoft em detrimento da utilização de softwares livres, cujo custo de licenciamento é nulo. Existem hoje no mercado, aplicativos similares com funcionalidades equivalentes, que podem perfeitamente substituir os softwares proprietários de alto custo previstos no texto do pregão. São exemplos disto os sistemas operacionais, UBUNTU, Fedora GNU/Linux 12, Mandriva GNU/Linux 2009 Spring, Debian GNU/Linux 5.0, além dos pacotes de aplicativos: BrOffice.org 3.1.1, Koffice 2.1. Esses softwares são de licenciamento livre e adequados ao uso profissional e pessoal de qualquer usuário e agregam funcionalidades como a adequação ao novo acordo ortográfico brasileiro e a fácil exportação para o formato PDF.

De acordo com o embaixador da Associação, Sady Jaques, o edital não apresenta informações técnicas suficientes para esclarecer se os produtos livres foram de fato avaliados para compor o “Projeto Professor Digital e direciona para um único fornecedor, a Microsoft”. ”isso contraria a lei 8666 e não se trata de ser contra um produto ou outro, mas sim de garantir a participação de todas as soluções de mercado".

"Além disso o software livre, excluído da concorrência pública, tem o foco na qualificação colaborativa dos processos pedagógicos. Os softwares livres permitem um maior e melhor desenvolvimento da capacidade intelectual de professores e alunos, pelo simples fato de que são abertos, permitindo conhecê-los e aperfeiçoá-los, se for o caso. Além disso, seus pilares de construção são as próprias premissas do compartilhamento e da colaboração, o que os tornam soluções sem igual no contexto da educação”, afirma Sady.

A Associação também explica que, a partir do que está exposto no edital, o projeto “Professor Digital” transfere o gerenciamento da informação, a gestão tecnológica e o controle estratégico da comunicação pessoal dos professores estaduais de um projeto público para um serviço controlado por uma única empresa privada, ignorando a possibilidade de que este serviço de gestão poderia ser realizado de forma sustentável pela Empresa de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs).

Com esta ação, as organizações também desejam que os professores estaduais possam ter a liberdade de escolher seu sistema operacional e seu pacote de escritório com menor preço e maior liberdade por utizarem software livre, além de se tornarem protagonistas do compartilhamento do conhecimento, que é inerente ao software livre. Desta forma, para a Associação, o edital se apresenta limitador e ineficiente, obrigando o uso de um sistema operacional, ignorando a possibilidade de uso dos serviços da Procergs e deixando de lado aspectos claros da Lei nº 8.666 que regulamenta a realização de licitações no país.

IMA realiza curso de extensão: Os Anos Rebeldes


O Instituto Mário Alves gostaria de convidar à todos para o curso de extensão:
“Os anos Rebeldes: Uma Abordagem Sobre a Ditadura Civil-Militar Brasileira.”

Do golpe a Abertura (1964-1979) A Transição Conservadora (1979-1985) Da Eleição ao Impeachment (1989-1992)


O curso será desenvolvido através da exibição do Seriado “Anos Rebeldes”. A partir da minissérie, serão realizados palestras e debates com os professores participantes, bem como apresentação de músicas, imagens e pequenos vídeos sobre o tema.


Realização: Cap/UFRGS - IMA- Instituto Mário Alves

Professores Participantes:

-Alessandra Gasparotto - Professora de História do CAVG/UFPel

-Dariane Raifur Rossi - Professora de Geografia do CAp/UFRGS

-Nilo André Piana de Castro - Professor de História do CAp/UFRGS

-Renato Dela Vechia - Professor de Ciência Política da UCPel

Informações e inscrições:
Instituto Mário Alves
End: Rua Andrade Neves, 821 das 13 às 19 horas
E-mail: imapelotas@yahoo.com
Fone: 30257241
Quanto: R$ 15,00 – sócios IMA
R$ 20,00 – Público em geral

Horário e local do curso:
Dias 20, 21 e 22 de Novembro de 2009.
Sexta-feira: 19 às 23 h
Sábado e Domingo: 8:30 às 12:30/13:30 às 20:00h
Credenciamento: A partir das 18 horas de Sexta-feira
Onde: Auditório do Campus II da Universidade Católica de Pelotas
Certificado de 32h/a

Video Intervozes

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

CC - Alguns direitos reservados
Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.
Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
Você deve dar crédito ao autor original.

Seminário da Diversidade Cultural

SID/MinC promove último encontro da série nos dias 17 e 18 deste mês, em São Paulo

São Paulo será sede, nos dias 17 e 18 de novembro, do último encontro do ano do Seminário da Diversidade Cultural - Entendendo a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.

O evento reunirá, mais uma vez, gestores públicos e privados para discutir os conceitos, objetivos e princípios diretores da Convenção, adotada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2005 e ratificada pelo Brasil em 2007.

Promovido pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC), o Seminário conta, nesta edição, com a parceria do Instituto Itaú Cultural, local da realização do evento, e do Observatório da Diversidade Cultural.

A Convenção da Unesco, já adotada em 103 países, tem como principal objetivo proteger e promover a diversidade das expressões culturais, materializadas e transmitidas principalmente pelas atividades, bens, serviços culturais, línguas e costumes de cada comunidade. Além de reafirmar o direito soberano dos Estados de formular e implementar suas políticas culturais, a Convenção disponibiliza uma série de medidas que as Partes podem adotar para proteger e promover a diversidade das expressões culturais em seu território.

“A Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais foi criada exatamente porque a diversidade cultural no mundo corre perigo. A globalização econômica e financeira e o progresso das tecnologias de informação e comunicação facilitaram a circulação dos bens e serviços, o que resultou em uma maior interação cultural. O problema é que essa interação tem acontecido de maneira profundamente desigual, com um fluxo de bens e serviços culturais direcionado principalmente dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento”, alerta Giselle Dupin, coordenadora de Articulação, Formulação e Conteúdo da SID/MinC e membro da delegação brasileira no Comitê Intergovernamental da Convenção.

“O exemplo mais visível desse desequilíbrio é a oferta de filmes no mundo. As grandes produtoras cinematográficas são norte-americanas e detêm cerca de 90% do mercado mundial de audiovisual, incluindo filmes e programas para a televisão”, cita Giselle, que fará palestra no Seminário sobre os princípios básicos da Convenção e do andamento das negociações com o Comitê Intergovernamental.

O secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC, Américo Córdula, participa da solenidade de abertura do evento, pela manhã, e na parte da tarde fala sobre as ações que estão sendo desenvolvidas para a proteção e a promoção das expressões representativas da diversidade cultural do país e como as políticas públicas de Cultura no Brasil estão respondendo aos desafios da Convenção. Participam da mesa de abertura, como convidados, o secretário municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil, e a presidente do Itaú Cultural, Milú Villela.

Ainda no dia 17, o evento também terá como palestrantes Hirton Fernandes, coordenador de Culturas Populares da Secretaria de Cultura da Bahia, e André Sturm, coordenador da Unidade de Fomento e Difusão de Produção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. No dia 18, proferem palestras sobre a Diversidade Cultural e a participação da Sociedade Civil José Márcio Barros, do Observatório da Diversidade Cultural; Azelene Inácio Kaingang, socióloga indígena do Mato Grosso; João Batista da Luz, representante da Comunidade Quilombola dos Arturos de Minas Gerais; e Renata Katsue Yuba, representante da Comunidade Japonesa Yuba de São Paulo.

Confira a programação no Blog do Seminário: blogs.cultura.gov.br/diversidadecultural.

Seminário da Diversidade Cultural - Esse é o quinto e último encontro de uma série realizada ao longo deste ano, e que terá continuidade em 2010, pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura para divulgar a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. O primeiro, voltado para os gestores da região Sudeste, aconteceu no mês de junho, em Belo Horizonte. O segundo foi realizado em Sousa, na Paraíba, reunindo gestores públicos e privados de Cultura de todo o semiárido nordestino. Em agosto, em Boa Vista, foi a vez dos gestores da região Norte. O quarto encontro reuniu gestores do Centro-Oeste, em Campo Grande, nos dias 6 e 7 deste mês.

Outras informações sobre o Seminário: (61) 2024-2383, com Júlia Tolentino.

(Heli Espíndola, Comunicação SID/MinC)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Programação do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital

Entre os dias 18 e 21 de novembro, acontece na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Participarão do evento os convidados internacionais: Jean Burgess, pesquisadora da Universidade de Queensland, na Austrália, e co-autora do livro “Youtube a Revolução Digital”, Daniel Granados, da Producciones Doradas, de Barcelona, Pau Alsina, pesquisador de arte digital da Universidade Aberta da Catalunha, na Espanha, Jaime King, do “Steal This Film”, David Sasaki, do Rising Voices e Amélia Andersdotter, do Partido Pirata Sueco. Dentre os palestrantes nacionais: Sérgio Amadeu, professor da Faculdade Cásper Líbero, Franklin Coelho, da Universidade Federal Fluminense e do Projeto Piraí Digital, José Luiz Ribeiro, diretor da RNP e coordenador nacional do projeto Redecomep, Dalton Martins, do Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária Weblab, Ivo Corrêa, do Google, Laymert Garcia dos Santos, da Unicamp, Alfredo Manevy, do Ministério da Cultura, Anápuaká Muniz, do Web Brasil Indígena, entre outros.

Além de debates em torno dos cinco eixos de discussão do Fórum: memória, comunicação, arte, infraestrutura e economia, acontecerão intervenções artísticas, ações auto-gestionadas, shows, apresentações culturais e plenárias com o objetivo de deliberar propostas em cada eixo a serem entregues ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, na cerimônia de encerramento. O Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira é aberto e gratuito. Para participar dos seminários, é necessário fazer cadastramento na entrada da Cinemateca sujeito à lotação das salas. Os integrantes da rede culturadigital.br terão prioridade no acesso, por isso recomendamos o cadastramento prévio. Todas as palestras serão transmitidas ao vivo pela internet.

PROGRAMAÇÃO:

18/11 – 4ª feira
9h/17h
Credenciamento/ inscrição


13h/14h
Intervenção artística – tendas do hall

14h/17h
Plenária de Memória – Sala Petrobrás

Seminário de Infraestrutura – Sala BNDES
Palestrantes:

. José Luiz Ribeiro Filho (Diretor de Serviços e Soluções da RNP)
. Sérgio Amadeu da Silveira (Sociólogo e professor da Faculdade Casper Libero)
. Franklin Coelho (Universidade Federal Fluminense e Projeto Piraí Digital)

. Antônio Carlos dos Santos Silva, o TC (Casa de Cultura Tainã)

. Gabriel Laender (Coord. Técnico do Seminário ‘Alternativas para a Banda Larga’ – SAE/PR)
Moderador: Diogo Moyses (Curador do eixo infraestrutura do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

Ações auto-gestionadas – tendas do hall

19h/21h
Ato Inaugural e coquetel

19/11 – 5ª feira

9h/17h
Credenciamento/ inscrição

9h/12h
Plenária de Comunicação – Sala Petrobrás

Seminário de Memória – Sala BNDES
Palestrantes:

. Angela Bettencourt (Fundação Biblioteca Nacional)

. Pedro Puntoni ou Edson Gomi (Brasiliana – projeto de acervo digital da USP)
. Dalton Martins (Coordenador de tecnologia social do Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária Weblab)
. Geber Ramalho (Games, interfaces e acervos – UFPE)
. Jomar Silva (Padrões e protocolos – ODF Alliance)
Moderador: José Murilo Jr. (Gerente de Cultura Digital do Ministério da Cultura)

Ações auto gestionadas – tendas do hall

13h/14h
Intervenção artística – tendas do hall

14h/17h
Plenária de Economia da Cultura Digital – Sala Petrobrás

Seminário de Arte – Sala BNDES

Palestrantes:
.
Patrícia Canetti (Artista digital, criadora do Canal Contemporâneo)
. Giselle Beiguelman (PUC-SP e Diretora Artística do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia)
.
Pau Alsina (pesquisador da Universidade Aberta da Catalunha e do IN3, na Espanha)
. Laymert Garcia dos Santos (Sociólogo da UNICAMP)
. André Vallias (Poeta e produtor de mídia interativa)
Moderador: Cicero Inácio da Silva (curador de arte digital do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

Ações auto gestionadas – tendas do hall

a partir das 18h
Ação musical/ cinema – lona de circo externa

20/11 – 6ª feira

9h/17h
Credenciamento/ inscrição

9h/12h
Plenária de Infraestrutura – Sala Petrobrás

Seminário de Comunicação – Sala BNDES
Palestrantes:

. Jean Burgess (pesquisadora da Universidade de Queensland, na Austrália, e co-autora do livro “Youtube a Revolução Digital)

. Ivana Bentes (professora da UFRJ)
. Alex Primo (professor da UFRGS)
. Anápuaká Muniz (Web Brasil Indígena)
. Jamie King (produtor de ‘Steal This Film’ e criador da vodo.net)
Moderador: André Deak (curador do eixo comunicação do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

Ações auto gestionadas – tendas do hall

13h/14h
Intervenção artística – tendas do hall

14h/17h
Plenária de Arte – Sala Petrobrás

Seminário de Economia da Cultura Digital – Sala BNDES
Palestrantes:

. Daniel Granados (Producciones Doradas)
. Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo)

. Ladislaw Dowbor (Economista e professor da PUC-SP)
.
Ronaldo Lemos (Professor de direito da FGV-Rio)
. Juliana Nolasco (Coordenação de Economia da Cultura – MinC)
Moderador: Oona Castro (curadora do eixo economia do Fórum da Cultura Digital Brasileira)

Ações auto gestionadas – tendas do hall

a partir das 21h
Ação musical – lona de circo externa

21/11 – Sábado

9h/17h
Credenciamento/ inscrição

9h/12h
Transmissão da sala BNDES na Sala Petrobrás

Contexto Internacional da Cultura Digital – Sala BNDES
Palestrantes:
.
Raquel Rennó (pesquisadora de arte digital e integrante da Associaçao Cultural de Projetos em Cultura Digital ZZZinc, de Barcelona e do International Center for Info Ethics
, da Alemanha)
. David Sasaki (diretor do Rising Voices)
. Ivo Corrêa (Responsável pelas políticas públicas e governamentais da Google Brasil)
. Alfredo Manevy (Secretário executivo do Ministério da Cultura)
. Amelia Andersdotter (membro do Partido Pirata Sueco)
Moderador: Álvaro Malaguti (gerente de projetos da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa- RNP)

Transmissão da sala BNDES nas tendas do hall

12h/14h
Encerramento

14h/17h
Cerimônia de encerramento – Sala BNDES
Entrega do resultado do trabalho realizado ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira
Atividades culturais – lona de circo externa

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"Sou a favor da pirataria. É um favor que me fazem", diz escritor Marcelino Freire

Marcelino Freire é autor, entre outros, do livro 'Contos Negreiros' (vencedor do Prêmio Jabuti 2006). É idealizador e organizador da Balada Literária, evento que reúne quase uma centena de escritores, nacionais e internacionais, pelo bairro paulistano da Vila Madalena e cuja quarta edição acontecerá de 19 a 22 de novembro. Freire mantém o blog eraOdito e também está no Twitter.

Atualmente, entre outras coisas, ele toca no microblog um projeto de twittar mil "contos nanicos". Por enquanto, só tuitou 31, o último: "Eu nunca chamei minha mu mu mu mulher de vaca. Juro, doutor." Mas garante que chega lá. Em entrevista, por e-mail, ele disse ser "a favor da pirataria". E disse: "Quem sou eu para achar que alguém vai roubar um texto meu? É um favor que me fazem". Alguns dos principais trechos da conversa, você confere aí embaixo:



"De futuro (dos livros) eu não entendo. Tenho preguiça para prever. O futuro é já. Tanta coisa acontecendo. Tantas ferramentas modernas que não dá tempo de acompanhar. Papel e tela, sim, conviverão. Não sou daqueles que espalham o medo e o terror - de que o livro vai acabar, de que a internet vai enterrar de vez a história impressa. Ora essa: vamos à frente, ver o que tem lá adiante. Troco a naftalina pelo que vem, ali, na esquina", afirmou.

Mudando de assunto, ele disse: "Sou a favor da pirataria, de os livros circularem, de os textos serem lançados a quem quiser. Criação é, assim, patrimônio humano. Quem sou eu para achar que alguém vai roubar um texto meu? Para fazer o que com ele? As editoras que encontrem outras soluções, outros meios de garantir o pão... Por enquanto, pão às massas... Tudo de todos, já. É só apertar um botão. Dar um clique e eis a revolução".

E continuou: "Quem disse que eu vivo de direitos autorais? Vivo de oficinas literárias que coordeno, de palestras que dou pelo Brasil, de artigos aqui e ali, de curadorias outras, de um ou outro dinheiro que pinga do teatro, etc. Por isso, repito: 'quanto mais os meus contos circularem por aí, mas serei conhecido, mais as pessoas me chamarão para feiras e festas'. Tenho de lembrar sempre de que sou um autor contemporâneo, em um país em que poucos lêem. Se "roubarem" um conto meu, espalhá-lo por aí, é um favor que estão me fazendo...".

"Agora, é claro, se eu descubro que uma Volkswagen, que uma Coca-Cola pegou indevidamente um texto meu, será minha glória... Com a indenização, pararei uns tempos só escrevendo coisas para, assim, o povo roubar", garantiu.

E concluiu: "Quanto mais à literatura sair do casulo, melhor. Quanto mais o escritor sair da redoma, melhor. É preciso a literatura ir além, para fora das academias e agremiações. A literatura tem de estar circulando na rede, se comunicando de forma viva, pulsante. Gosto de ver textos circulando pelos quatro cantos do mundo. De soltar o verbo nos sites, vídeos, celulares... Aí há quem venha criticar: na internet há muito lixo. Se há, é porque produzimos lixo. Há lixo também nas bibliotecas institucionalizadas, nas livrarias, etc. Repito: vamos à frente. Que atrás não vem ninguém. O Machado de Assis agradece!"

Esta entrevista é a quarta de uma série que o Link publica sobre os desafios dos livros na era digital.

Do Blog do Estadão por Bruno Galo

IPEA realiza curso de Economia para os movimentos sociais

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promove, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Seesp), o Curso de Economia para o Movimento Social.

O curso, de 16 a 19 de novembro, na capital paulista, tem como objetivo aprofundar conhecimentos sobre temas econômicos e sociais, além de focalizar as análises e pesquisas do Ipea em diversas áreas, como macroeconomia, meio ambiente, trabalho e relações internacionais. O curso será na sede do Seep (Rua Genebra, 25, 1º andar, Bela Vista).

Inscrições – Até o dia 12 de novembro e os interessados devem encaminhar e-mail para Adelina Lapa (adelina.lapa@ipea.gov.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , telefone (61) 3315.5249), da Assessoria de Comunicação do Ipea, com as seguintes informações: nome completo, telefone de contato da entidade que é vinculado. (Informações da CUT)

Veja a programação. ABAIXO:

16/11 (segunda-feira)
8h – Credenciamento
8h30 às 9h – Abertura Ipea/Dieese/ SEESP e Diap
9h às 10h30 – Macroeconomia, financeirização, indicadores econômicos e emprego
João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea
10h30 às 11h – Intervalo
11h às 12h30 – Economia: Estado, nação e desenvolvimento
Marcio Pochmann, presidente do Ipea

17/11 (terça-feira)
9h às 10h30 – Agricultura e questão da terra – Abastecimento e exportação
Brancolina Ferreira, técnica da diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea
10h30 às 11h – Intervalo
11h às 12h30 – Infraestrutura e energia – Petróleo, eletricidade e fontes renováveis
Marcio Wohlers, diretor de Estudos e Políticas Setoriais, Inovação, Produção e Infraestrutura (Diset) do Ipea, e Fabiano Pompemayer, técnico da Diset
18/11 (quarta-feira)
9h às 10h30 – Economia do trabalho, inovações tecnológicas e impactos sobre a renda e o emprego
Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese
10h30 às 11h – Intervalo
11h às 12h30 – Seguridade social e finanças públicas
Jorge Abrahão de Castro, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea

19/11 (quinta-feira)
9h às 10h30 – Desenvolvimento e sustentabilidade ambiental
José Aroudo Mota, técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea
10h30 às 11h – Intervalo
11h às 12h30 – Inserção internacional e integração latino-americana
Giorgio Romano Schutte, técnico da Diretoria de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do Ipea

LOCAL: Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) – Rua Genebra, 25, 1º andar, Bela Vista (SP).
TELEFONE: (011) 3113-2651

domingo, 8 de novembro de 2009

Secretaria de Políticas para as Mulheres cobra explicação sobre expulsão de universitária

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), informou hoje (8) que vai cobrar da Universidade Bandeirante (Uniban) explicações sobre a decisão de expulsar uma aluna que usava um vestido curto e sobre o andamento das medidas contra estudantes que a “atacaram verbalmente”.

Nilcéa condenou a decisão de expulsar a universitária e disse que a atitude da escola demonstra “absoluta intolerância e discriminação”. “Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões”, disse a ministra à Agência Brasil, ao chegar para participar do seminário A Mulher e a Mídia.

Segundo a ministra, a ouvidoria da SPM já havia solicitado à Uniban explicações sobre o caso, inclusive perguntando quais medidas teriam sido tomadas contra os estudantes que hostilizaram a moça. Amanhã (9), a SPM deve publicar nova nota condenando a medida e provocando outros órgãos de governo como o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério da Educação (MEC) a se posicionarem.

As cerca de 300 participantes do seminário A Mulher e a Mídia decidiram divulgar, ainda hoje, moção de repúdio à Uniban pela expulsão da estudante Geyse Arruda, que foi hostilizada no dia 22 do mês passado por cerca de 700 colegas, por usar um vestido curto durante as aulas. Aluna do primeiro ano do curso de turismo, Geyse foi expulsa da instituição, que tem sede em São Bernardo do Campo (SP). A decisão foi divulgada em nota paga publicada hoje em jornais paulistas.

A decisão da Uniban também foi reprovada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), uma das participantes do seminário. Segundo a deputada, a expulsão de Geyse não se justifica e parte de um “moralismo idiota”. “Mesmo que ela fosse uma prostituta, qual seria o problema da roupa? Temos que ter tolerância com a decisão e postura de cada um”, afirmou Erundina.

A socióloga e diretora do Instituto Patrícia Galvão, Fátima Pacheco, discordou da expulsão da aluna e questionou o argumento da universidade de que ela “teria tido uma postura incompatível com o ambiente acadêmico”, conforme diz a nota da Uniban. “Ela não infringiu nada. Ela estava vestida do jeito que gosta, da maneira que acha adequado para seu o corpo e a interpretação do abuso, da falta de etiqueta é uma interpretação que não tem sentido"’, disse Patrícia.

“É uma reação à mulher e à autonomia sobre o seu corpo. Não se faz isso com rapazes sem camisa, com cueca para fora ou calças rasgadas”, completou a socióloga.

Para a psicóloga Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, a reação dos estudantes e da universidade refletem posições contraditórias e "hipócritas” da sociedade em relação à mulher. “Por um lado, a nossa cultura diz que a mulher tem que ser valorizar o corpo, afinal de contas, tem que ser bonita, tem ser gostosa e tem que se mostrar. Por outro lado, a mulher é punida quando assume tudo isso com tranqüilidade.”

Isso quer dizer que, para a sociedade, em termos de sexualidade, a mulher deve ser objeto de desejo e não de manifestar o seu desejo, sua sensualidade, concluiu Rachel.

O Movimento Feminista de São Paulo prepara manifestação para amanhã (9), às 18 horas, em frente à Uniban. Na convocação, o movimento pede que as manifestantes compareçam usando minissaias ou vestidos curtos.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) também condenou a decisão da Uniban.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A noite que não acabou

A curva tem uma mureta metálica de proteção em sua margem externa. De dia, o guard rail mais parece o parapeito da janela onde se debruça uma coxilha logo à frente.

À direita da ondulação do relevo, há uma área cultivada com acácias para florestamento destinado à indústria de celulose. Recobre o morro a característica vegetação rasteira do pampa, com herbáceas variadas. Pouco à esquerda, mais abaixo, sobrevive uma pequena plantação de milho.

Da coxilha vultosa ao cúbito da curva faz-se um vale. Em qualquer dos pontos mais altos – na margem da estrada, ou no topo do morro – percebe-se a profundidade que tem em sua base fileiras quase simétricas formadas por um arbusto nativo chamado popularmente de vassoura.

O sol valoriza todas as cores do Paraíso. E torna até agradável o acesso da rodovia estadual em curva à direita inclinada até a federal. São nuances de todos os verdes misturados ao dourado da palha do milho e às singelas gotas de vermelho e amarelo das flores do campo adornando os arbustos.

Mas à noite a paleta de pintura confunde todas as tintas, que pela ausência de cores oferecem o preto como resultado. A coxilha desabitada une-se ao céu, que se compacta ao vale, e abraça a mata nativa, a plantação e as árvores exóticas. O inspirado quadro transforma-se em um paredão uniforme tão negro quanto a própria escuridão.

***

O trecho acima faz parte do terceiro capítulo do livro A Noite que não acabou, do repórter-fotográfico Nauro Júnior e do jornalista Eduardo Cecconi, que mostra os bastidores do acidente com a delegação do Brasil de Pelotas, ocorrida em 15 de janeiro deste ano. O acidente, que aconteceu na BR-392, perto de Canguçu, acabou vitimando de forma fatal o atacante Cláudio Milar, o zagueiro Régis e o treinador de goleiros Giovani Guimarães. Ao longo do ano, os autores ouviram mais de 50 pessoas, cruzando as informações. Também refizeram várias vezes o trajeto.

Conforme Cecconi, o capítulo 3, Curva, ” é uma descrição da região, do local do acidente, e tem ainda dados da perícia sobre velocidade, marcas de frenagem… essas coisas”. O livro tem oito capítulos – seis escritos por Cecconi e dois escritos por Nauro. São 300 páginas, 16 delas de fotos do Nauro sobre a carreira das vítimas, o acidente, os velórios.

convite_lançamento

A obra sai pela editora Mundial, o prefácio é do escrito e professor Aldyr Schlee e o lançamento, como o belo convite acima aponta, acontece em 31 de outubro, às 18h, na 37ª Feira do Livro de Pelotas (Praça Coronel Pedro Osório). No dia 4 de novembro é a vez de Porto Alegre, na Praça da Alfândega, durante a Feira do Livro da Capital.

Desnecessário dizer que indicamos fortemente a leitura.

Saudações,
Douglas Ceconello.( Extraído do Blog http://impedimento.wordpress.com)

MST critica Mendes durante ato contra grilagem

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, foi alvo de ataques de lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST), ontem, durante ato para lembrar a existência de terras públicas griladas na região de Iaras, no centro-oeste de São Paulo.

O coordenador nacional do movimento, Gilmar Mauro, disse que Mendes se transformou em porta-voz dos setores mais retrógrados da sociedade. Ele recomendou ao presidente do STF que faça cumprir a Constituição, que manda destinar à reforma agrária as terras que não cumprem a função social. "Se a Constituição não é cumprida, que moral ele tem para criticar o MST? Ele que vá dar conselhos aos filhos dele", disse Mauro.

A manifestação reuniu cerca de 600 militantes no Assentamento Zumbi dos Palmares, a três quilômetros da fazenda Santo Henrique, da empresa Cutrale, depredada durante invasão do MST no início do mês. Mendes havia criticado a destruição de laranjais na propriedade e sugerido o corte de recursos liberados a entidades ligadas ao MST. Mauro argumentou que, se o Estado fizesse seu papel, não haveria necessidade de repassar verbas para nenhuma entidade.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar as verbas do MST também foi atacada. "Qual é a moral desses deputados?", perguntou o líder do MST. "Eles deveriam vir aqui no meio do mato conversar com esse povo, que não está aqui para fazer piquenique." A CPMI, segundo ele, é uma forma de criminalizar o movimento.

Gilmar Mauro não descartou novas invasões na Cutrale. "Continua na mira, assim como as outras áreas que foram griladas ou são improdutivas. Vamos fazer novas ocupações ainda este ano e no ano que vem. Estamos avisando a todos que vamos continuar aqui."

Já o coordenador estadual Delweck Matheus disse que a região tem 80 mil hectares de terras griladas e que tiveram os recursos naturais destruídos, entre elas as terras ocupadas pela Cutrale. "Por causa de uns pés de laranja se criou uma comoção nacional, passando por cima do grilo."

Ele convocou os sem-terra para "lutar" pela transformação da região "numa grande região de assentamentos". "Vamos fazer ocupações até que as terras sejam arrecadadas." Ele criticou a demora dos processos na Justiça e a falta de ação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "A reforma agrária vai sair na marra", disse.

O ato do MST reuniu militantes de várias regiões, inclusive do Pontal do Paranapanema. Os sem-terra chegaram em nove ônibus, caminhões e carros. Antes, o grupo participou de uma reunião, sem a presença da imprensa, na sede da fazenda Agrocento, transformada em escola de formação de militantes. Sindicatos ligados às centrais Conlutas e CUT, inclusive o dos Metroviários, da Capital, apoiaram o ato com veículos e equipamentos. A manifestação reuniu vereadores e deputados do PT e do Psol.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Livro de poemas sobre a ditadura foi lançado em Brasília

O livro “Poemas do Povo da Noite”, de Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva, foi lançado nesta quarta-feira (28), em Brasília, para marcar os 30 anos da Lei de Anistia. Escrito nas prisões pelas quais passou o escritor entre os anos de 1972 e 1977, a obra retrata os procedimentos do regime militar no Brasil.
livro

Hamilton Pereira da Silva, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso em 10 de junho de 1972, quando tinha 24 anos, em Anápolis, Goiás. Era acusado de subversão e de atentar contra a segurança nacional. Submetido a longos períodos de tortura, aos quais o autor costuma se referir como “interrogatórios”, permaneceu cerca de três meses incomunicável em quartéis do Exército em Goiânia e em Brasília.

Leitor e apreciador de literatura desde a adolescência, Hamilton encontrou na poesia uma maneira de se manter “vivo e lúcido na cadeia”, como forma de resistência e de comunicação com o mundo exterior.

Seus poemas descrevem os momentos passados pelos presos políticos, as torturas, a morte de muitos deles e a luta pela vida dos que resistiram às sevícias. São poemas em que palavras como “sangue”, “morte”, “luta” e “companheiro” aparecem com freqüência. A homenagem a companheiros mortos é também tratada no livro.

Para o deputado Emiliano José (PT-BA), “Hamilton tinha a capacidade de viver poesia, de mergulhar na tragédia e nas dores humanas depois de experimentá-las na própria carne.”

A primeira edição do livro ocorreu na Espanha. O volume em espanhol, premiado pela Casa de las Américas, deu origem à primeira edição integral e comercial do livro em 1978. Ainda em 1978 uma revista alemã publicou poemas da obra de Pedro Tierra, além de textos de Josué de Castro, D. Hélder Câmara, Thiago de Mello, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Esta publicação foi “Um novo céu – Uma nova Terra”, lançada em tiragem de 35 mil exemplares. Nesta revista, pela primeira vez, revelou-se que Pedro Tierra era pseudônimo de Hamilton Pereira.

Somente em 1979, após esse percurso internacional, “Poemas do Povo da Noite” chegou ao Brasil. Publicado pela Editorial Livramento, de São Paulo, o livro teve uma tiragem de 3.980 exemplares, com as mesmas ilustrações da edição espanhola e da edição original que foi organizada pelo então advogado do autor no Brasil, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

Feira de produtos orgânicos reflete crescimento do setor

A expansão do mercado de produtos orgânicos no Brasil se reflete no crescimento da Biofach, uma das maiores feiras do ramo, aberta ontem (28), em São Paulo. Segundo a coordenadora do evento, Rosina Cordeiro, a primeira edição da feira, em 2003, contou com 80 expositores, número que chegou a 300 este ano. “Antigamente, ninguém sabia o que era orgânico, mas hoje em dia está ficando uma coisa mais popular.”

Para o diretor da certificadora IBD, José Pedro Santiago, os produtos produzidos sem agrotóxicos e sem agressão à natureza estão deixando de ser um mercado específico e passando a ser um grande negócio. Ele baseia a sua avaliação no aumento da procura pela certificação que garante o selo de orgânico aos produtos.

“Há um conjunto de fatores que está alavancado a agricultura orgânica, apesar das crises”, avaliou Santiago. Na opinião dele, as preocupações com as mudanças climáticas, o aumento da divulgação na imprensa e uma maior atenção por parte do governo,são alguns dos fatores esponsáveis pelo crescimento do setor.

Nesse contexto, eventos como a Biofach buscam aproximar os produtores das oportunidades de negócios com possíveis revendedores, como redes de supermercados e lojas especializadas. A Biofach é realizada simultaneamente e no mesmo espaço da ExpoSustentat, feira de produtos produzidos de forma sustentável.

A possibilidade de conseguir um contrato com uma rede varejista trouxe Francisco José do Rio Grande do Norte para a feira em São Paulo. Ele explicou que conseguir negociar diretamente com um distribuidor para o mel em bisnaga e sachê pode garantir uma renda melhor aos 300 sócios de sua cooperativa. No modelo atual, eles vendem em grande quantidade para um atravessador que coloca o produto em recipientes menores e revende para o varejo. "Queremos agregar mais preço nos nossos produtos. Quando a gente vende nesses baldes de 25 quilos, eles saem um pouco baratos. A gente vendendo nesses frascos menores, ele sai num preço bem melhor para nós”.

O mel de Francisco está exposto no estande Caatinga-Cerrado, que reúne 20 cooperativas, duas redes de cooperativas e duas empresas. De acordo com assessor técnico do projeto, Luiz Carlos Rebelatto, a estrutura representa diretamente 7 mil famílias de 13 estados. Segundo ele, no ano passado o estande com produtos provenientes dos dois biomas gerou cerca de R$ 2 milhões em negócios.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Brasil é exemplo no combate ao trabalho escravo infantil


Os programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), são apontados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como modelos que devem ser seguidos. O levantamento detalhado sobre o trabalho infantojuvenil no Brasil também deve ser tomado como exemplo pelos países vizinhos. Dados recentes indicam que há cerca de 4,3 milhões de crianças e adolescentes em atividades ilegais no território brasileiro, mas com tendência à redução.


O coordenador do Programa para Eliminação do Trabalho Infantil da OIT, Renato Mendes, disse nesta segunda (26) que, em geral, as crianças e os adolescentes em situação de trabalho escravo têm atividades voltadas para a agricultura familiar, domésticas e comércio urbano no Brasil.


De acordo com Mendes, os estados do Piauí, Maranhão e Tocantins são os que apresentam os números mais expressivos do país. “Mas os últimos dados indicam que os números estão caindo no Piauí e Maranhão e infelizmente tendo elevação no Tocantins”, disse ele.


A diretora do Programa Internacional para Erradicação do Trabalho Infantil, Michelle Jankanish, destacou o esforço do governo federal no combate ao trabalho escravo entre crianças e adolescentes. Para ela, o “Brasil conseguiu gerar novas competências e aumentar os esforços” para eliminar o problema.


Michelle se referiu indiretamente ao Programa Bolsa Família (PBF), que é de transferência direta de renda destinada a atender famílias em situação de pobreza (com renda mensal por pessoa de R$ 70 a R$ 140) e extrema pobreza (com renda mensal por pessoa de até R$ 70).


Para a OIT, outro exemplo de programa bem-sucedido é o Peti. O programa tem como objetivo contribuir para a erradicação de todas as formas de trabalho infantil no país, atendendo famílias cujas crianças e adolescentes com idade inferior a 16 anos se encontrem em situação de trabalho.


Nesta segunda-feira (26), o governo do Brasil e de mais quatro países - Bolívia, Equador, Paraguai e Timor Leste – assinaram projetos de cooperação com o apoio da OIT e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), que vai repassar US$ 2 milhões para que executem as propostas conjuntas.